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Somos um tempo limitado de ventos que se batem diante
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Mística noturna urbe

O vento é frio
Na cidade barulhenta
Ao perambular atônito
Em metamorfose lenta
Envolvo-me no vazio suave
Ao qual se atrai
Como gravidade

Vejo gritos nos muros
E retraídos sussurros
Nas ruas
O tempo se cala
Por um instante
A imagem à volta
Destoa a revolta
E um ruído inquietante
Condicionados ao caos
Maquiado de ordem
Sorridentes podres
Esquecendo
O clamor que os atinge
Em dias comuns
Perplexos
Difusos
Perpendiculares
Em suas caras abstratas
E causos inacabados
 
Na calada da noite
Gélida e distante
Advém o distinto
A mágica perdida
Melodias em meio fio
Vozes ampliadas
Mentes se comunicando
Como aparelhos-conectivos
Ou antenas para o espaço

E o vento passa cortante
Frisando nos semblantes
O prazo da existência
Enternecido
Sob relento úmido
E mudas luzes foscas
Com os pés fraquejados
Na calçada lustrada de poeira
Equilibrando vícios e gestos
Sentindo o prumo alvejado
Da bruma noturna

Idealizando palavras presas
Observando a placa de saída
A bandeira lacerada
Retorcida no alto de seu vácuo
O sussurro que trepida
No silencio
O quieto balanço
Da cadeira quebrada
É quando todas as vozes somem
E nos sobra somente o ruído cáustico
Da urbe seca e apática
 
Simbolismos frágeis
Sufocam a mente
Ao limiar de gerações
Que se transformam
 
Favônios cinzentos
Balançam meu ser
E meus pés se prendem frios
Sob a cerâmica morta

Deito nas almofadas
Comtemplando notas harmônicas
Que saem das caixas acústicas
E  pairam sobre a vagueza do ser
Só esperando o nada acontecer
O que de Souza
Enviado por O que de Souza em 11/10/2016
Alterado em 15/04/2017
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