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  Noites de silêncio
(Algo se move, tudo e nada morre)
 
Deixei tudo para trás
Nada mas fazia sentido
O ruído calado da noite
O zunido no silêncio
O rangido dos carros na avenida
A calçada despedaçada

Não encontrava
O sossego da mente
Acende a pequena pira
E habita a fumaça
Deitado no ventre das nuvens
Lançado na cerâmica morta
Percorrendo lugares inexistentes
No âmago oriundo da terra
Onde cospem fogo
Dragões mortos

 Foge para o alto
Nas distintas estrelas
Do topo do céu
Pescando brilhos
Pontilhados
No manto do horizonte

Ao decorrer das horas
Que sedeparam ao sonho
A noite inequívoca
Cala-se madrugada adentro
Constantemente perdida
Em seu próprio relento
Na soberba quietude
Resplandecida do espaço
 
Implacáveis favônios
Queimam de frio a pele árida
Lembra na placidez o distinto ruído
Aquele que sibila
Para a dama da escuridão
Piscando lusco-fusco e apita
Como um trem soturno
Até o grasnar dos pássaros
Espantar os ouvidos
Quando a surpresa habita o espírito
E desponta do nada
A sensação que agarra e levita
 Deitado no sofá da sala
Depois calado debaixo da varanda
Vendo a garoa cair
Como se nada acontecesse e nada acontece
E no nada ouve o barulho incessante de máquina
Estremecendo a verve das entranhas da cidade

A cada piscada
A cada passo calado
Quando paralisa diante o tempo e emudece
Descansando no vazio de concreto 
Desmoronando sobre a terra viva
Neste vácuo cinzento
Que cobre o horizonte
Mas ainda resta tanto
Tanto que ainda há tempo
De sentir a brisa do vento
Fora dos seus registros infinitos
E precipícios burocráticos
Preferia precipícios poéticos
Paralelos elementares
Palavras quietas sussurrando tímidas
Exprimindo murmúrios
Vertendo os dedos ilesos
Contorcidos sem contar o tempo
Horas minutos ou segundos
Em sua calada surda
 
O semblante petrificado
Como massa de gesso
Como um molde alterado
Revertendo palavras
Um redemoinho
Sobre o tempo
Tédio e turbulência
Máquinas e almas inquietas
A noite única ruidosa
A lua branca
O céu cinzento
As aves que gorjeando nos fios de luz
E nas antenas com lâmpadas vermelhas
Onde nada mais faz sentido
Pelo menos por alguns segundos
Nada que pudesse dizer
E distinguir
Na voz da sombra
Escura e pálida
 
Na estrutura massificada
Onde latas latem uivos mecânicos
Onde cai pelo chão
Cada resquício de vida 
No vão da rachadura
Crescendo na veia urbana
Onde a rotina prevalece
Em suas obras grandiosas
Consumo desenfreado
E programas de televisão
 
Por hora podia-se perceber
Alguma coisa que faria sentido
Não nas luzes acesas
De opaca claridade branca
Ofuscando as riquezas do céu
Mas na pele tremeluzente
Na boca que cantareja
Nas palavras que correm como um rio
De correnteza variável
 
Observando as ruas de regras
Os arquivos-mortos
E queimas de arquivo
 Seu relógio lindo
E seu sorriso novo
Nas velhas lembranças
E antigos sonhos 
Em meio a tantos grãos de gente
Que piscam como plânctons remexidos
Vomitando cores vivas
Nas paredes desbotadas
Construindo prédios
Como colmeias quadradas
E redes interligadas
 
Vê na tarde ensolarada
Quando vertem tua alma num registro
E seu rochoso brilho
Espreme-se insano no crepúsculo
E acima do chão
A atmosfera dança
Então sorri para as nuvens movediças
E observa esvair sua tormenta de pensamentos
Sua ventania de fados
Sua falta de sentido 

 
O que de Souza
Enviado por O que de Souza em 07/03/2017
Alterado em 18/06/2017
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